quinta-feira, março 19, 2015

Sublimes Linguagens


Sublimes linguagens:  harmonia e perfeição sob a tutela de Elizabeth Caldeira Brito


O homem, desde os primórdios de sua existência, foi impulsionado a expressar os seus sentimentos. Na sua simplicidade, entrou no mundo das artes, grifando nas rochas e elaborando esculturas, contando com o material que tinha em mãos. Mais tarde, começou a usar as palavras gravadas nas pedras e a explorar os recursos de voz para emitir sons musicais. Externar emoções é inerente ao ser humano.
As artes, a literatura e a música sempre caminharam juntas no decorrer do desenvolvimento da civilização. Gradativamente, surgiram grandes talentos, porém, a posteridade tomou conhecimento apenas do material que foi registrado. Quantas maravilhas foram apreciadas, na época em que foram produzidas, e se perderam no tempo sem deixar marca para que outras gerações pudessem desfrutar desse acervo cultural que traduzia a alma da humanidade!
O trabalho que Elizabeth Caldeira Brito vem realizando no Diário da Manhã, na página por ela elaborada no caderno OpiniãoPública, abre espaço para que a poesia e as artes plásticas possam se entrelaçar resultando uma união perfeita. Além disso, permite que os artistas desfrutem de um painel para a divulgação das suas obras.
Tudo o que não é publicado cai no ostracismo. Foi o que aconteceu com a obra do grande mestre alemão do período barroco musical Johann Sebastian Bach, cujos manuscritos permaneceram esquecidos nos sótãos empoeirados de residências abandonadas por quase um século. Graças à descoberta dessas relíquias por  Felix Mendelssohn, seu compatriota, a humanidade pode ter acesso à perfeição das mais lindas obras primas do ilustre compositor que se tornaram imortais e fonte inspiradora de renomados musicistas.
Porquanto a iniciativa de Elizabeth deve ser valorizada. Depois de mais de três anos de publicação no DM, resolveu reunir as peças do seu trabalho e divulgá-las em um livro, o qual intitulou Sublimes Linguagens. Elaborou com maestria uma edição consistente de extrema beleza, bom gosto e imaginação. As cores fortes e harmoniosas deram vida às exposições e, ao mesmo tempo, serviram para separar as produções dos autores.
Obras primas se juntaram como elos da mesma corrente, entre elas, telas de Amaury Menezes, Cleber Gouveia, Frei Nazareno Confaloni, DJ Oliveira, Gustav Ritter, Goiandira do Couto, Antônio Poteiro, Alessandra Teles e Elder Rocha Lima; esculturas de Maria Guilhermina, Elifas, Helena Modesto e Antônio Vieira; fotografias de Nelson Santos, Sinésio de Oliveira, Wagner Soares e da autora Elizabeth Caldeira Brito; poemas de Leda Selma, Augusta Faro, Moema de Castro e Silva Olival, José e Gilberto Mendonça Teles, José Fernandes, Alcione Guimarães, Geraldo Coelho Vaz, Ercilia Macedo–Eckel, Mariza de Castro, Itaney Campos, Ursulino Leão Tavares, Nasr Chaul, Yêda Schmaltz, Miguel Jorge, Brasigóis Felício, Sandra Rosa, Cristiano Deveras, Büchner Sampaio Rosa, Floriano Freitas Filho, Aidenor Aires, Edival Lourenço e Bariani Ortencio.
Tantos outros autores se destacaram no acervo de Elizabeth, tornando-se difícil se referir a todos. Somente em um ambiente adequado, folheando as páginas do livro, lendo com atenção as indicações da autora, os títulos escolhidos para cada parte selecionada, seria possível avaliar a grandeza do trabalho de Elizabeth Brito.
O lançamento do livro aconteceu no salão da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil. Na entrada, cavaletes com quadros ilustrativos de Sublimes Linguagens ornamentavam o saguão, abrindo alas para as pessoas que chegavam, encantando-as com o espetáculo pictórico que se descortinava, como se a intenção fosse prepará-las para terem em mãos o livro a ser autografado.
Indivíduos do mundo das artes, da literatura e da música circulavam ao lado de presidentes de entidades culturais com a alegria natural de participar desse evento onde a atmosfera era de harmonia e bons fluidos. Elizabeth, com o desembaraço que lhe é peculiar, recebia a todos com gentileza e apreço, brindando os leitores com dedicatórias delicadas e carinhosas.
Dessa forma, ficam registradas para a posteridade obras relevantes da atualidade. Os participantes se sentem honrados com a oportunidade de ter suas obras tão bem-ilustradas. Esperamos que a autora dê continuidade a essa difícil empreitada para que outras gerações possam ter acesso aos movimentos artísticos e literários a par dos fatos que acontecem nos nossos dias. Parabéns, Elizabeth Caldeira Brito, pela dedicação na pesquisa e produção deste livro encantador: Sublimes Linguagens!

(Alba Dayrell, membro da Academia Feminina de Letras e Artes (Aflag), da União Brasileira dos Escritores (UBE)e professora aposentada da UFG)

quarta-feira, março 13, 2013

Fim de semana com Astrid, Dimas e Salomão (Nilto Maciel)



A maioria das publicações trazidas à minha casa vem de amigos. Como recebo diariamente, pelo menos, um impresso, a conclusão é estarrecedora (no bom sentido): tenho amigos para o ano todo. Estão ali, doidos por um afago, cerca de uma dúzia deles (os tomos, não os amigos). Pisquei o olho para cada um e murmurei: Venham cá, seus malandros. E trouxe ao colo três dos mais afoitos: Vagem de vidro, Coeur sans frein e Uma sombra no espelho. São de Salomão Sousa (meu amigo há mais de 30 anos), Astrid Cabral (minha amiga desde os bons tempos de Brasília) e Dimas Carvalho (que mora bem ali, em Acaraú, mas telefona para mim todo santo dia – de licença, em Fortaleza – e me convida a almoçar, de vez em quando, ou, nas noites de muita solidão e tédio, para visitar uma cunhã qualquer).

Pelo visto ou pelo andar da carruagem, não comentarei as coletâneas e ficarei nessa lengalenga de quem não lê nada e não sabe distinguir soneto de sonata. Engano vosso, leitores impacientes e exigentes: li todos os poemas, fiz anotações à margem dos opúsculos e tenho, sim, intenção de anotar umas frases a respeito das três obras. Parto, então, de Vagem de vidro, a primeira a chegar a mim.

Salomão Sousa

Poeta moderníssimo, Salomão tem adotado todos os procedimentos do verso em suas modalidades mais novas, desde o livro inaugural de sua trajetória, A moenda dos dias, que é de 1979. No entanto, não copia ninguém e não se repete. Conhece os múltiplos caminhos da poesia (e da prosa também, seja ela ficcional, filosófica ou estrambótica).

Neste novo empreendimento verbal – Vagem de vidro –, o menestrel de Silvânia/Brasília apresenta cantos sem título (uns divididos em estrofes). E dá o pontapé inicial assim, com força, vigor ou garra: “Todo preâmbulo inaugura o medo”. Porque Salomão vem de antes, do tempo de Homero, de gregos e troianos, dos vates latinos, dos descobridores da Grécia (a Hélade e seus mitos), dos rapsodos modernos aos mais recentes. Vem pleno de poesia, de metapoesia, metalinguagem, em metapoemas de diversos feitios, vem inflado de enigmas, mistérios, ambiguidades, metáforas e parábolas. Vem entranhado de intertextualidade. Com citações e referências à melhor literatura nacional e estrangeira. Essa percepção advém de inúmeras e ricas leituras. Sem qualquer vassalagem a esta ou aquela tendência literária ou autor, por mais admiração que nutra por certos ícones da arte da escrita. Não, Salomão tem um léxico próprio, ou intertextualizado. E assim o dizemos, sem medo de ofendê-lo; pelo contrário, pois só quem lê muito, quem tem clara noção do mundo e suas profundezas, dos seres, seus comportamentos e suas expressões, é capaz de cultivar a paráfrase, ou de se envolver no processo de recriação da linguagem.

Essas incursões ao passado histórico ou literário não significam, no entanto, regressões, mas construções de pontes para o presente (seu e da sociedade): “E se houvesse entendimento ou / a extinção da linha do tempo, / quem iria recolher o sal, / construir a alvura ou / estrear o lençol e a luz?” (p. 13). O passado ele o traz para o seu (o nosso) presente (mundo, realidade), as agruras, as misérias, as iniquidades do homem moderno: “O edema, o sequestro relâmpago. É a ausência do fluir. / Se não há herói para ir a Ítaca, à Esplanada, / os homens a enrijecer-se” (p. 21); “a balconista que surgirá / ensanguentada no noticiário nacional” (p. 26); “a bala perdida / na mãe de uma criança ao colo” (p. 34).

Astrid Cabral

O segundo conjunto veio do Rio de Janeiro, em português e francês. Mal consigo ler o português brasileiro (o da Coroa nem ouso pronunciar), imaginem a língua de Paris. Não importa, Astrid; serei breve. Na capa, somente a denominação estrangeira: Coeur sans frein. Na folha de rosto, o título nos dois idiomas: Coração à solta, sobreposto a Coeur sans frein (de cabeça para baixo). Na capa e na segunda folha: “traduit librement du brésilien par l’auteure”. São hinos de amor, obviamente. Do começo ao fim: “Amor como tremor de terra / abalando montanhas e minérios / nas entranhas da minha carne”. Assim traduzidos (os versos): “Amour, tremblement de terre / secouant montagnes, minéraux / dans les entrailles de ma chair”.

Nesse volume, a poetisa não se peja de utilizar a primeira pessoa (eu lírico) para relatar peripécias do amor, em cânticos fesceninos e de nudez, de corpos em conluio, como o praticaram exímios criadores desde o início dos tempos da mais astuta racionalidade do sexo, em Lesbos (Safo), com os bardos gregos (Anacreonte). “Crava em meu corpo essa espada crua. / Quero o ardor e o êxtase da luta / em que me rendo voluntária e nua”. Em francês: "Enfonce dans mon corps cette épée crue. / Je veux l’ardeur et l’extase de la lutte / à laquelle je me rends volontaire et nue”.

Exercita-se também Astrid nas formas verbais da narração (narradora/espectadora), na revelação dos dramas amorosos dos outros ou de personagens: “Moravam na mesma casa / mas em variados mundos./ (...) Em solidão se espelhavam”. Em francês: “Ils habitaient la même maison / mais dans des mondes différents. / (...) En solitude ils se réfléchissaient”.

A linguagem poética de Astrid Cabral nessas jóias só raramente se esfumaça em construções simples, do nosso cotidiano, em constatações ou afirmações. Disso são exemplo versos como estes: “atear-lhe urgente o fogo do amor”. Ou estes mais exuberantes, mais gritantes: “Ao lado de um orgasmo / que são palmas e aplausos?” O poemeto “Sem maquilagem” é quase minicrônica.

Dimas Carvalho

O mais jovem dos três trovadores também está maduro. Não de hoje (há tempos comentei outra brochura dele e o fiz com louvores). Com este Uma sombra no espelho, Dimas demonstra toda a sua erudição. Desde o portal da casa, com um soneto (“Pórtico”), à maneira de confessionalismo de mártir: “o que eu escrevo é a queixa / de quem já fui, de quem eu mais não sou”. Seguem-se umas quadras (ele que é viajante do Brasil e do mundo) mineiras (escritas em São João Del Rey).

Num passar de vista abrangente e sem grandes preocupações estéticas, o leitor comum veria um pouco de Bocage, outro tanto de Antero de Quental, talvez uns resquícios de Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro (Dimas é contumaz leitor da poesia portuguesa, como o é de toda a boa poesia) em certas peças desse novo repertório: “dentro de mim estive sempre ausente / fora de mim também não me encontrei” (p. 16).  Também traz latim, que o homem é versado em idiomas e na melhor tradição literária. Como em “Quia pulvis es”, extraído da locução religiosa “Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”, ou “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó tornarás”. Como um sacerdote, um conselheiro, esmiúça a velha locução em vinte versos curtos: “tira os teus anéis / despe tuas roupas / queima as insígnias” (...) “despe-te de tudo / porque a Terra chama / e o útero profundo / vai te devorar” (p. 18).

Além de exímio cultor do soneto (seja na forma camoniana ou petrarquiana, seja na versão inglesa), Dimas Carvalho maneja outras modalidades poemáticas: elegia, sonata, canção, cântico, rondó, etc.

Porém, nem só de latim e tradição se faz a poesia de Dimas. Com dicção própria (mesmo que vejamos influências – e isto é muito natural em todo inventor – deste ou daquele lavrador de versos, de um ou de outro período histórico), o jogral cearense não se descuida dos mais modernos e seus contemporâneos. Basta ver as epígrafes de que se valeu: Ezra Pound, Salvatore Quasimodo, Giuseppe Ungaretti, Mário Quintana, Francisco Carvalho, Carlos Augusto Viana e Paulo Leminski. E a série de homenagens a alguns dos mais engenhosos polidores de safiras: Fernando Pessoa e Camões (“Uma tarde no Chiado”), Jorge de Lima, Rilke, Vinícius e Augusto dos Anjos.

Conclusão

E mais não direi, para não tirar ao leitor o prazer de ler e reler estes três bons ficcionistas brasileiros e com eles viver no interior de espelhos, povoados de amor e erotismo, numa vagem (seria uma redoma?) de vidro, ao mesmo tempo longe do hoje e perto do ontem, que é o sempre. Pois a poesia de Astrid Cabral, Dimas Carvalho e Salomão Sousa é bela e será duradoura.

Fortaleza, 2 a 5 de março de 2013.

Dhiogo José Caetano de Uruana, Torna-se Membro Honorário imortal da Acla


Dhiogo José Caetano de Uruana, Torna-se Membro Honorário imortal da Acla
MEMBROS CORRESPONDENTES IMORTAIS( Nacional e Internacional):

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

115- Dr. José Gomes da Silva Neto – Psicanalista e Psicoterapeuta – Delegado Regional da ACLA/MG – Cachoeiro do Itapemirim/ES.
116- Paulo Henrique dos Santos Ferreira – Professor de História/ Patrimônio Cultural – Delegado Regional da ACLA/MG – Curuçá/ Pará. 
117- Bárbara Pérez – Escritora/ Presidente da Academia CACL de Marataízes – Delegada Regional da ACLA/MG – Marataízes/ES. 
118- Roberto Vital da Silva – Artesão – Delegado Regional da ACLA/MG – Igarassu/Pernambuco.
119- Sciortino Antonio Nato A. Palermo – Professor de Teologia – Monreale/Itália. 

MEMBROS HONORÁRIOS IMORTAIS - QUADRO 04:

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

133-S.A.R.I. Principe Dom Alexander Comnène Palaiologos Maia Cruz – Presidente da FEBLACA – São Paulo/SP .(H. Internacional) 
137-Dom Carlos Santos Saavedra Bravo – Soberano Gran Maestre Comandante General/Soberana Orden Militar Del Deber Sagrado. Venezuela (H. Internacional). 
138- Dr. Raimundo Holgado Cantalejo – Presidente Provincial de La Asociación Española de Amigos de lós Castillos- Espanha (H. Internacional). 
139- Dr. Jésus Acácio de Oliveira – Professor/Filósofo/Poeta e Escritor – Brasília/DF. 
140- Dhiogo José Caetano – Professor/Escritor/Poeta – Uruana/ Goiás. 
Dhiogo José Caetano -Dhiogo José Caetano é de Uruana interior de Goiás; filho de Valdson Caetano Filho e Lucinete José Veloso. Graduado em História pela UEG - Universidade Estadual de Goiás, jornalista, Pós graduado em Memória do Imaginário e Literatura . Tem diversos trabalhos e artigos publicados Jornal o Povo, Jornal o Dia, Jornal Diário da Manhã, Jornal Populacional, Canto dos Escritores, Só Poetas Por Vir, Poetas de Domingo, Poetas Livres e em outras revistas como: Revista Factus, Partes e Hímpeto Editorial. Também faz parte de projetos literários: Nova Coletânia, Rocco, Publicações Iara, Encantos do Brasil II da Mandio Editora, Novos Poetas da Editora Videira, Prêmio Valdeck, Editora Celeiro, Editora Literacidade, Poesia Encanta II, III e IV, Canapé, Litteris, Palavras Sem Fronteiras. É colunista: Poetas Brasileiros, Mar de poemas. Artista revelação 2011 prêmio organizado pela Interarte juntamente com Academia de Letras de Goiás, ganhador do prêmio cultural Interarte 2012, Prêmio Nacional Olavo Bilac 2012, Prêmio Nacional Buriti 2012. Correspondente das academias: ACLAC Academia Cabista de letras e Artes, ARTPOP Academia de Arte do Rio de Janeiro , CACL Academia Marataizense de Letas do Estado do Espírito Santos membro da AVSPE Academia Virtual Sala dos Poetas, Escritores, membro da ACLA, Comendador da ALG Academia de Letras de Goiás Velhos, Correspondente da Academia de Letra do Brasil/Suíça, Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, Cavaleiro Comendador da Ordem Soberana , Militar do Dever Sagrado Extraordinary Member of the CSLI e Master Sergeant CSL. O seu objetivo é continuar a caminhada em direção do ensinar e aprender, corroborando para a publicação de diversos textos, livros, artigos, poemas, etc. Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/1318205190902971

MEMBROS HONORÁRIOS IMORTAIS - QUADRO 05:

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

141- Dr. Alan Simião – Marquês de Askos – Rio de Janeiro/RJ.
142- Dom Leandro Ribeiro – Duque Dom dos Ribeiros de Sarmathia – Rio de Janeiro/RJ.
143- Dr. Hércules Pires do Nascimento – Conde Pires do Nascimento – Rio de Janeiro/RJ.
144- Dr. Oséas da Silva Costa – Visconde do Vale de Kastoria – Rio de Janeiro/RJ. 
145- Major Ivani Damasceno – Militar da reserva- Ponte Nova/MG. 
146- Leila di Domenico – Artista/Ativista Cultural – Chapecó/ Santa Catarina. 
147- Ladir Wigikoski - Artista/Ativista Cultural – Chapecó/ Santa Catarina. 
148- Carlos Alberto Hang - Artista/Ativista Cultural – Joinville/ Santa Catarina. 
149- Dalci Schneider Filho - Artista/Ativista Cultural – Balneário/ Santa Catarina. 
150- Rosecler Hoss - Artista Plástica – Chapecó/ Santa Catarina.
151- Maria Dolores Pimentel Rezende - Escritora/ Professora - São José do Calçado/ES.


Dhiogo José Caetano Professor, escritor e jornalista 
Comendador da Academia de Letras de Goiás.  Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes 
Membro das Academias:  ALB (Brasil/Suíça), ACLAC (RJ),  ACLA (MG), CACL (ES), ARTPOP(RJ) e OsConfradesdaPoesia (Portugal)

quarta-feira, outubro 24, 2012

Prêmio Jabuti vai para Edival Lourenço


Registro aqui o estudo de Ricardo Silva sobre o romance “Naqueles Morros, Depois da Chuva”, de Edival Lourenço, goiano e meu amigo.



Ricardo Silva
Especial para o Jornal Opção
Fazer comparações em literatura é sempre um risco que não gosto de correr. Não raras vezes costuma-se falhar vertiginosamente quando se faz isso. Mas às vezes é quase inevitável a comparação. Existem alguns autores que andam lado a lado na sua maneira de escrever, não importa qual seja o motivo. Outras vezes a comparação se dá de forma involuntária na cabeça do leitor, que vai traçando semelhanças entre essa e aquela obra. Mas não farei comparações, contudo acho que se faz necessário algum paralelismo, ainda que escasso, do último romance do escritor Edival Lourenço, “Naqueles Morros, Depois da Chuva”, com outros livros que possuem algumas semelhanças narrativas.

O bastardo filho de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, narra a saga de Luís de Assis Mascarenhas, governador da província de São Paulo e Minas de Goyazes, que está indo para o Arraial de Santana com a função de fazer com que a Minas de Goyazes tenha autonomia administrativa. A viagem é pontuada por acontecimentos insólitos e alguns um tanto quanto sinistros, que vão dando à narrativa uma eloquência que não nos deixa perder o interesse pela história que está sendo contada. Mesmo diante de todos os percalços do cerrado, de todos os contratempos que permeiam a viagem, a comitiva chega ao seu objetivo, com uma recepção acalorada e fogosa dos moradores de Arraial de Santana. Um passo dado para mais uma página da história do Brasil.

O romance de Edival é histórico, mas diferente do enfado que alguns autores desse tipo de romance nos colocam. Ele não apresenta a linguagem monótona que costumeiramente se esforça em mostrar que a pesquisa foi feita, colocando dentro da narrativa uma quantidade maçante de informações de cunho muito mais acadêmicas do que literárias. A escrita de “Naqueles Morros, Depois da Chuva” está muito longe desse estereótipo. Não que a pesquisa do autor não tenha sido bem feita; ela foi, mas ele soube dosar as informações de modo que a literatura e a história se diluíram para se tornarem uma mistura tão homogênea que não existe possibilidade, dentro da trama edivalina, das duas serem separadas, porque, caso isso ocorra, todo o enredo ficará descambado. Dentro dessa acepção, o romance foi milimetricamente bem construído. A reconstituição histórica feita pelo escritor goiano é de um fôlego soberbo. O leitor pode ver todo o ambiente, o cerrado, no qual estão a caminhar a comitiva de Dom Luís, com seu calor infernal, sua aridez, seus caminhos tortuosos. E, além disso, os costumes e hábitos deste rincão são descritos com precisão, seja na figura dos padres, dos personagens mais diagonais, ou ainda na imagem do próprio narrador, que talvez seja o espelho mais claro de como se pensava naquela época.

Retomando as primeiras linhas, o livro dá a possibilidade de se fazer um paralelo com algumas outras obras que seguem essa linha de um narrador que conta uma história para um interlocutor que não aparece nunca, acentuadamente os livros “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, e “Sargento Getúlio”, de João Ubaldo Ribeiro. O romance de Edival lembra em certos aspectos esses outros dois romances. Vale frisar que o escritor goiano não tem, em termos da estilística, nenhuma semelhança nem com o escritor mineiro e nem com o baiano. As semelhanças ficam adstritas à montagem da história e o apelo linguístico aflorado. Contudo as diferenças são cabais: os romances de Ubaldo e Guimarães são quase uma espécie de complementação um do outro. Talvez a grande distinção seja a ambientação e o tamanho dos enredos, além do  fato de que no livro de Ubaldo há divisão de capítulo e o de Guimarães consta apenas de um grande monólogo. Sem contar que os narradores são meio “destrambelhados” em suas coloquialidades. Já no livro de Edival o narrador, mesmo sustentando um ar de jagunço, é visivelmente autodidata: sensível, refinado, com altas doses de sarcasmo e erudição, inclusive com citações em latim. É um sábio das coisas da cidade e do sertão.

Além do narrador peculiar, “Naqueles Morros, Depois da Chuva” tem um ritmo narrativo que dá conta perfeitamente da descrição de uma viagem: ora rápido, ora lento, assim mesmo, na velocidade do caminhar da comitiva, com capítulos curtos e outros mais longos. Ritmo magistralmente concebido para dar conta do enredo. Ponto relevante também se dá no fator linguagem. O livro de Edival é uma verdadeira proeza neste aspecto por não se prender a um regionalismo pueril e nem deixar que a escrita seja anacrônica para um leitor sem familiaridade com o vernáculo. Acerta em cheio quando resolve descrever as paisagens num tom poético, numa linguagem que é da época, mostrando mais uma vez que sua exaustiva pesquisa foi bem executada. Sem dúvida ele deve ter lido uma quantidade considerável de documentos de cronistas de viagem, para poder fazer com que a narrativa tivesse esse ar barroco, dando verossimilhança aos termos empregados, o que faz o leitor sentir-se numa viagem espaço-temporal para a época retratada. Uma sacada de um ótimo escritor, que não se perdeu no meio do caminho linguístico, que soube preparar um bom romance.

Depois de quase 20 anos da publicação do genial “Centopeia de Néon”, Edival Lourenço volta ao gênero romance com fôlego novo (em cada romance existe um escritor diferente), confirmando sua importância dentro do cenário literário nacional; e mostrando sua perspicácia narrativa, sua inteligência linguística, seu esmero ficcional. Sendo o primeiro de uma já planejada trilogia, “Naqueles Morros, Depois da Chuva” é um grande romance, que retrata com letras únicas uma parcela importante da história do nosso país; um romance construído sobre o signo da meticulosidade (tão característica da obra de Edival Lourenço), que arrebata seu leitor, me perdoe o clichê, da primeira a última página, sempre com aquele desejo de que cada página se multiplique em outras.

Leia um trecho de “Naqueles Morros, Depois da Chuva”
Algumas testemunhas — e em terra infestada de vadios desvalidos o que não faltam são testemunhas, dessas que a tudo veem, desde o cão chupando mangaba de cócoras na sombra do pé, até crime de quebra-cabaço nos escurinhos detrás da igreja — algumas testemunhas afirmaram ter visto o índio vagal esticar-se para os lados da banda sul, com fúria de água de represa derruída no afã de voltar a ser ribeirão, com tal velocidade que se ele usasse camisa e a dita camisa fosse de estampa xadrez, em sua fralda se poderia jogar dama ou gamão. De posse dessa informação providencial, ato contínuo a patrulha-diligência se volta para os lados da banda norte com ares de quem executa uma astúcia bilontra, a insinuar que, se o índio permitiu ser visto exalando-se para o sul, é por artimanha da mais deslavada.
É só um meio de implantar despistes e ir indo para o norte sem quaisquer embargos de perseguição. Mas, no fundo, sabem de sobejo aqueles improvisados milicianos, pois, mesmo sendo improvisados, estrabulegas é  que não são, que é mesmo para o sul que o índio do corso terá vazado, até se coagular em tocaias ou diluir-se no azul das distâncias. Só que procurá-lo no lado contrário é, com certeza, quase zero o risco que se corre de também ter o peito fubecado pelo trespasse de outra flecha iracunda embebida de erva malina e vir a morrer de jeito horrível, que nem o elemento da comitiva do capitão-general, aos estrebuchos, seguido de asfixia, como que enforcado de dentro pra fora.

É só no finalzinho da tarde, com a boca da noite já engolindo os últimos fiapos de salivas de sol, sem luta corporal, sem um disparo de um tiro sequer, sem uma porretada que seja, que os cinco bate-paus gaiatos e morrinhentos vêm retornando. Não trazem o índio por inteiro, nem aos pedaços, nem uma orelha, nem um dedo, uma nesga de couro do lombo, o aro do botoque ou do fiofó que fosse, passado numa embira ou num talo de ramo à-toa. Nem ao menos notícias quentes do dito corso eles trazem. Nada. Porém exibem, nos tocos de cara sem-vergonha, um certo ar de dever cumprido e cansaço meritório, enquanto manifestam uma opinião deveras convicta: num raio de légua e meia, pelo menos, o bugre meliante e assassino cujo foi encontrado é nenhum. Por isso mesmo, com base nesse relatório de negativas, o chefe da segurança local, sem pudores nem negaceios, apõe garatuja ao rodapé de proclama formal que um secretário escrivão logo manuscrita, dando conta, por dedução, de que, nesse raio, por tirocínio da polícia e graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo está dominado.
Ricardo Silva é escritor.

sábado, outubro 20, 2012

André de Leones e a infância



Nesta manhã de sábado, enquanto aguardo o dia se ajustar ao horário de verão, repasso rapidamente o romance Dentes negros, de André de Leones. As imagens inseridas ao texto do livro, a busca de raízes, o percurso dos personagens num movie road, remetem-me a algumas reflexões da minha infância.
Mas ainda não será desta vez que irei abordar criticamente um livro de André de Leones (e já abordando!). Estas palavras é mais para dialogar comigo mesmo.
Talvez por sermos de Silvânia, prazerosa cidade histórica de Goiás, e eu e sua mãe termos vivido uma juventude de íntima e construtiva amizade, tive o privilégio de ter sido um dos primeiros leitores de um livro dele. Livro inédito, de poesia. Ele já vivia sua inquietude e sua busca, rumo à maturidade. Lembro-me de nosso encontro na casa de minha irmã.
Em Dentes negros, os personagens, mesmo apregoando que não tiveram infância, vão rememorando pequenos fatos, que não deixam de ser a formação de uma geração: a do próprio André de Leones, que perdeu a intimidade com ruas raízes para ativar a intimidade com o humano. Basta ver que as imagens integradas ao texto não trazem nenhum vulto de ser vivo. O que já comprova a mudança do formato de as gerações formarem as imagens da infância: os locais destas imagens de André de Leones, para mim, sempre aparecerão povoadas de pessoas, pássaros e outros animais da infância. E da própria maturidade, quando de meus retornos a estas paisagens. Acredito que eu não conseguiria flagrar estas paisagens de Dentes negros esvaziadas de humanidade. O esvaziamento das figuras da infância é um dos fatores da produção de rancor. Por isso eu digo que todas as contradições de minha infância e de minha juventude estão resolvidas: o bulling, a pobreza, a exploração do trabalho infantil, tudo. Insito: tudo isso está integrado à minha aprendizagem de nacionalidade e de minha própria personalidade.
A geração que veio com o surgimento da “geração tela” (só para usar da sabedoria de Harold Bloom) que é a de André de Leones , não tiveram e não terão a mesma formação das gerações anteriores. Aí as dificuldades de os personagens de Dentes negros se identificarem com o passado.  Dentro da velocidade, com espaços que sempre estão se modificando, sobra muito pouco tempo para a geração tela se deter no homem com contato visual e físico.
Dentes negros, e espero que assim seja com todos os futuros livros de André de Leones, é de temática atual, oportuno e que merece ser adotado nas escolas goianas, para que a juventude se veja e, assim, veja se é isto mesmo que quer. Só um autor desta geração que agora se forma para registrar as contradições do homem novo que vai se formando no país. A minha já está muito distante da infância para se aborrecer com as próprias origens, mas que mantém a esperança e a luta para que o homem do Planeta, do Brasil, das pequenas cidades silvanienses vá se formando com dignidade e ética, satisfeito consigo e com a nacionalidade.

sábado, setembro 29, 2012

Um autor resgatado


Um autor resgatado



Indicação do último livro do poeta goiano José Godoy Garcia para o vestibular da UFG é a chance de novas gerações conhecerem um conjunto de versos praticamente esquecido

Rogério Borges




José Godoy Garcia 
Seu nome não é muito conhecido fora dos círculos literários e o número de seus leitores, infelizmente, ainda é restrito. Quem gosta de boa poesia, porém, deveria ler os versos de José Godoy Garcia, poeta que nasceu em Jataí em 1918 e depois se radicou em Brasília, onde morreu há mais de 10 anos. Os candidatos aos dois próximos concursos vestibulares da Universidade Federal de Goiás terão essa chance. Um dos livros indicados para a prova de Literatura Brasileira é Poesia – Antologia do 50º Aniversário de Poesia, livro lançado pelo escritor em 1999 e que viria a ser o último que publicaria. “A escolha deste livro também serve para trazermos de volta um autor muito importante”, diz o professor da Faculdade de Letras da UFG Jamesson Buarque, que integra a comissão encarregada de selecionar as obras literárias do vestibular da instituição. “Ele é muito representativo da poesia goiana e brasileira em um longo período de tempo”, argumenta.
O livro indicado é uma antologia e em entrevistas que concedeu na época do lançamento, José Godoy Garcia disse que a edição era um apanhado completo de seu trabalho. Seu primeiro título, Rio do Sono, foi publicado em 1948 e causou certo frisson, ganhando a Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos. Era uma poesia inovadora e bem acabada, que chamou a atenção de leitores e de outros autores.
Foi neste mesmo ano que Godoy Garcia se formou em Direito em Goiânia, já pensando em dar prosseguimento a uma formação mais sólida que se consolidaria no Rio de Janeiro, onde teve contato com autores de uma geração herdeira do Modernismo, como Lúcio Cardoso e Rubem Braga. O primeiro vindo de Minas Gerais e o segundo do Espírito Santo, eles identificaram naquele autor goiano uma espécie de solidariedade artística e compartilharam talento e visões de mundo, cada um em seu nicho e estilo. É interessante perceber que o nome de José Godoy Garcia, ainda que pouco mencionado por aqui, não é esquecido em outras partes.
Em vários dicionários e antologias sobre poesia brasileira, Godoy Garcia figura com razoável destaque. Uma de suas marcas nos 12 livros que publicou – incluída aí a antologia que acaba de ser indicada para o vestibular da UFG – é a preocupação social de seu trabalho. Não é uma poesia panfletária e eminentemente política, aproximando-se mais do estilo da poesia social de um Carlos Drummond de Andrade, embora haja entre eles enormes diferenças em vários outros aspectos.
Prova dessa preocupação que Godoy Garcia sempre dedicou aos mais pobres é seu engajamento político, algo também visível no campo do direito. Sempre gostou de defender gente que não teria como pagar honorários de um advogado. Era também um ativo militante político, sempre pronto a denunciar mazelas sociais, por meio da literatura ou não. O autor conseguiu chegar ao delicado equilíbrio de falar desses dramas sociais sem perder a mão de sua poesia.
Alguns de seus poemas em que isso fica mais demonstrado falam de Brasília e sua construção. Em uma espécie de narração poética, ele descreve, sob ângulos pouco usuais, os perrengues pelos quais os chamados candangos, os trabalhadores que vieram de todo o Brasil para erguer a nova capital federal, passavam. Ao invés de levantar bandeiras contra a exploração, Godoy Garcia, habilmente, descrevia, com muita ludicidade, o cotidiano dessa gente que, por muito tempo, foi simplesmente ignorada no processo de desenvolvimento do País. É um olhar menos usual, que surpreendeu muitos e revelou um homem atento ao mundo à sua volta, indo dos grandes temas às mais singelas homenagens.
O escritor viveu sua juventude em Goiânia, passou temporadas no Rio, mas foi em Brasília que amadureceu sua escrita. Para lá se mudou em plena construção da cidade e de lá nunca mais saiu. É hoje considerado um dos seus melhores tradutores.
Além de poeta, José Godoy Garcia também foi um grande cronista e um ficcionista elogiado. Seu segundo livro é um romance, chamado O Caminho de Trombas e publicado em 1966, já pelo prestigiado selo Civilização Brasileira. Este é um livro emblemático, pois o autor, já no regime militar, elabora uma forte denúncia social, mesclando invenção com fatos reais relacionados a conflitos agrários no interior brasileiro. A luta de classes fica muito evidente em seu imaginário, equivalendo ao seu comportamento no cotidiano.
Godoy Garcia foi um ativista do Partido Comunista Brasileiro, defendendo judicialmente muitos de seus membros, e era um marxista convicto. Seu terceiro livro, Araguaia Mansidão, foi posto no mercado pela Editora Oriente, de Goiânia, em 1972. Nesta época, já era um nome conhecido também no jornalismo e sua verve polemista era respeitada em uma Brasília que vivia os anos de chumbo da ditadura.
Ele ainda publicaria dois títulos de poesia pela Civilização Brasileira – A Casa do Viramundo e Aqui É a Terra, ambos de 1980 – até se mudar para o selo Thesaurus, de Brasília, que editaria seus últimos livros. Por esta editora, ele publicou os volumes de poemas Entre Hinos e Bandeiras (1985), Os Morcegos (1987),Os Dinossauros dos Sete Mares (1988) e O Flautista e O Mundo Sol Verde e Vermelho (1994), o volume de contos Florismundo Periquito (1990) e o trabalho de crítica Aprendiz de Feiticeiro (1997). Também foi a Thesaurus que encampou o projeto de colocar em catálogo a antologia da obra poética do escritor. Por ser um livro de pouca circulação, a UFG entrou em contato com o selo e obteve a garantia de que mais exemplares seriam impressos para atender a demanda dos vestibulandos pela obra. José Godoy Garcia morreu em Brasília em 2001, vítima de um ataque cardíaco.
Fonte : O Popular