sexta-feira, abril 03, 2015

Teresa Godoy



Um poema de Teresa Godoy, goiana de Pirinópolis, do livro Violetas violadas, publicado pela editora Caminhos. A autora faleceu em 1997, morou em Anápolis. Trata-se de uma poesia ajustada ao seu tempo, pois rápida, mas densa. Com uso de termos goianos, sem entrar no pieguismo regional. A editora Caminhos está de parabéns por resgatar uma autora goiana que estava ausente do mercado e até mesmo da história da literatura goiana, pois este livros é o único da autora e sua primeira edição não alcançou as livrarias
. Para comprar o livro: www.livrariacaminhos.com.br

Heitor Quilles



Um poema de Heitor Quilles, goiano que está no Uruguai, do livro Últimos sonetos, publicado pela editora Caminhos. Heitor Quilles se formou em Goiânia, passou por diversas localidade, como Portugal e agora se encontra no Uruguai. Trata-se de  um livro com 53 sonetos que já nascem clássicos, pois limpos e de temática lírica, metafísica.
  Para comprar o livro: www.livrariacaminhos.com.br.

terça-feira, março 31, 2015

Crônica de Drummond sobre Cora Coralina


Príncipe dos Lobos - romance de Rogério Prego



PREFÁCIO por Henrique Martins da Silva

Príncipe dos Lobos é uma boa dose de realidade que deve ser degustada com cautela, pois um marinheiro de primeira viagem pode se engasgar ao tentar tomar de uma só vez. É envolvente, é provocante! A reflexão é incitada ao mais alto nível e os “fantasmas sociais” aparecem. Tudo aquilo que a sociedade considerou sujo, feio, impróprio, imoral, inferior, detestável, ou seja, fora dos seus padrões e interesses ou até mesmo “ameaçador à sua ordem”, tudo o que foi obscurecido, (re) surge. É um romance forte e frisante! Indicado para aqueles com espírito livre e com sede para descobrir o que está por trás das relações, das pessoas e dos lugares. “O admirável gado novo” faz parte dessa trama. É assim que os trabalhadores oprimidos e indivíduos marginalizados socialmente aparecem no livro. É assim que a banda toca! A droga, a prostituta da esquina são semblantes de um mundo perverso. O autor possui uma análise muito densa e crítica, o que instiga mais ainda o leitor, ele vai direto à veia do problema, não há rodeios...

Príncipe dos Lobos apresenta uma narrativa real, chocante e perversa no que tange o mundo das relações humanas. A trama se desenvolve a partir das aventuras e devaneios do personagem Robinson, primeiramente quando criança e depois na fase adulta. Trata-se de um jovem que advindo de uma situação miserável e com vários problemas, inclusive familiares, aprende a queimar as chamadas “pedras mágicas” como forma de sucumbir o sofrimento e talvez preencher o vazio da própria alma, pelo menos por alguns intervalos de tempo. Não é fácil, Robinson tem uma vida muito conturbada, “vive entre lobos” e é atormentado por fantasmas que são seus próprios medos, limitações e tragédias. É o retrato de um personagem vazio praticando o individualismo no caminho das pedras.

Por intermédio de um traficante e cafetão, conhecido por Draco, conhece e se apaixona por uma prostituta chamada Beatriz que o faz mudar drasticamente, abandonando o vício. Como a raposa, ela é perspicaz — sabe jogar — o influencia dizendo: “As pedras valem muito dinheiro e você as queima, seu estúpido!”. As pedras são preciosas, o recado de Beatriz fora entendido. Robinson aprendeu ainda na escola uma dança diferente, o Breakstyle que despertou a simpatia de Draco, salvando-o da morte e do abismo existencial. É quase paradoxal — “o cordeiro DANÇA entre lobos”.

A figura do lobo pode representar muitas coisas e, por isso, é apresentada de forma muito ampla no livro, surpreendendo o leitor. É como se a palavra lobo, fosse uma expressão psicanalítica para lidar com a ausência, os medos e todo o mal banalizado e repreendido. Robinson descobrira através de Draco, que os lobos são temidos, pois carregam o semblante das ruas. Todavia, desde a infância já era cercado por lobos que o dilaceravam juntamente com sua mãe, Edileusa.

Neste ambiente insalubre de relações, afundado nas drogas e vivendo nas ruas, restava a Robinson ter ainda um pouco de dignidade, dominar seus medos, traçar objetivos e cumprir a promessa que fez à mãe de dar-lhe uma vida melhor. O cordeiro tem que legislar no mundo dos lobos para ser príncipe, ou melhor, Príncipe Lobo. As pedras que antes eram queimadas passam a ser vendidas — torna-se um negócio lucrativo, capitalista. A ideia de possuir Beatriz o incentivou, estava disposto a enfrentar até mesmo Draco, quem o acolheu. O Príncipe Lobo deveria ser respeitado e temido, mas isso não o torna um vencedor. Pelo contrário, talvez seja sua própria ruína, pois o cordeiro pode até acreditar que é um lobo, porém não deixa de ser um cordeiro.

Robinson é o protagonista, entretanto, Beatriz toma a cena. Ora, o cordeiro realmente gostava dela — talvez ela representasse sua redenção. Robinson quer viver como um príncipe ao lado de sua princesa-meretriz. Mas isso não é tão fácil por causa dos obstáculos que aparecem. As pedras não são suficientes para diminuir sua agonia, seus desejos não têm limites e suas atitudes não medem as consequências. Ele está sem controle, joga o jogo de Beatriz — ela o seduz e o engana. O cordeiro fica entre o céu e o inferno — os lobos estão à espreita.

Beatriz, sagazmente, ensina tudo o que Robinson tem que fazer para que possam ficar juntos. O Príncipe Lobo agora está pronto, começa a caçada. Para alcançar seus objetivos está disposto a matar quem estiver em seu caminho e de sua pretendida. O cordeiro não é mais o mesmo, torna-se determinado, toma aspectos de um lobo e quer mostrar que pode ser um deles, ou melhor, o príncipe deles.

O romance de Rogério Prego é uma denúncia social, mostra que “os lobos” não estão somente nas ruas, podem estar mais perto do que se imagina, até dentro de nossa família. Esses lobos estão por toda a parte e se atracam na disputa por poder ou espaço. É um livro que questiona e confronta a imagem do que está além do bem e do mal, transmitida principalmente pelos veículos de comunicação. Não há soluções imediatas, pois um problema leva a outro e, por conseguinte, em direção a uma raiz muito mais profunda do que se imagina.

Nesse sentido, o autor foi bastante feliz em seu propósito, uma vez que não nos apresenta respostas prontas, mas sim um campo de possibilidades para que o leitor indague e tire suas próprias conclusões. Afinal, toda a obra é uma grande crítica social e comportamental. É um tipo de realismo fantástico que faz o leitor refletir e ensimesmar-se, pois querendo ou não, alguma parte da obra irá lhe despertar uma identificação ou familiarização pessoal. É um romance que vale a pena conferir. Está acima das expectativas que possam ser despertadas neste prefácio. Real, Intrigante, Envolvente! Só lendo para saber o que acontece com Robinson nessa aventura dantesca no mundo dos homens-lobo.

— Henrique Martins da Silva (FH/ UFG)

Link do Livro:

 ROGÉRIO PREGO nasceu em 1981 em Goiânia - Goiás. Formado em História pela UFG. É o autor de Meu Sagrado Reino da Escuridão, publicação em que apresenta os seus primeiros escritos. Príncipe dos Lobos é o seu primeiro romance publicado. Em breve, publicará o seu segundo romance: Loteria da Babilônia – Em busca da aventura particular.

quinta-feira, março 19, 2015

Sublimes Linguagens


Sublimes linguagens:  harmonia e perfeição sob a tutela de Elizabeth Caldeira Brito


O homem, desde os primórdios de sua existência, foi impulsionado a expressar os seus sentimentos. Na sua simplicidade, entrou no mundo das artes, grifando nas rochas e elaborando esculturas, contando com o material que tinha em mãos. Mais tarde, começou a usar as palavras gravadas nas pedras e a explorar os recursos de voz para emitir sons musicais. Externar emoções é inerente ao ser humano.
As artes, a literatura e a música sempre caminharam juntas no decorrer do desenvolvimento da civilização. Gradativamente, surgiram grandes talentos, porém, a posteridade tomou conhecimento apenas do material que foi registrado. Quantas maravilhas foram apreciadas, na época em que foram produzidas, e se perderam no tempo sem deixar marca para que outras gerações pudessem desfrutar desse acervo cultural que traduzia a alma da humanidade!
O trabalho que Elizabeth Caldeira Brito vem realizando no Diário da Manhã, na página por ela elaborada no caderno OpiniãoPública, abre espaço para que a poesia e as artes plásticas possam se entrelaçar resultando uma união perfeita. Além disso, permite que os artistas desfrutem de um painel para a divulgação das suas obras.
Tudo o que não é publicado cai no ostracismo. Foi o que aconteceu com a obra do grande mestre alemão do período barroco musical Johann Sebastian Bach, cujos manuscritos permaneceram esquecidos nos sótãos empoeirados de residências abandonadas por quase um século. Graças à descoberta dessas relíquias por  Felix Mendelssohn, seu compatriota, a humanidade pode ter acesso à perfeição das mais lindas obras primas do ilustre compositor que se tornaram imortais e fonte inspiradora de renomados musicistas.
Porquanto a iniciativa de Elizabeth deve ser valorizada. Depois de mais de três anos de publicação no DM, resolveu reunir as peças do seu trabalho e divulgá-las em um livro, o qual intitulou Sublimes Linguagens. Elaborou com maestria uma edição consistente de extrema beleza, bom gosto e imaginação. As cores fortes e harmoniosas deram vida às exposições e, ao mesmo tempo, serviram para separar as produções dos autores.
Obras primas se juntaram como elos da mesma corrente, entre elas, telas de Amaury Menezes, Cleber Gouveia, Frei Nazareno Confaloni, DJ Oliveira, Gustav Ritter, Goiandira do Couto, Antônio Poteiro, Alessandra Teles e Elder Rocha Lima; esculturas de Maria Guilhermina, Elifas, Helena Modesto e Antônio Vieira; fotografias de Nelson Santos, Sinésio de Oliveira, Wagner Soares e da autora Elizabeth Caldeira Brito; poemas de Leda Selma, Augusta Faro, Moema de Castro e Silva Olival, José e Gilberto Mendonça Teles, José Fernandes, Alcione Guimarães, Geraldo Coelho Vaz, Ercilia Macedo–Eckel, Mariza de Castro, Itaney Campos, Ursulino Leão Tavares, Nasr Chaul, Yêda Schmaltz, Miguel Jorge, Brasigóis Felício, Sandra Rosa, Cristiano Deveras, Büchner Sampaio Rosa, Floriano Freitas Filho, Aidenor Aires, Edival Lourenço e Bariani Ortencio.
Tantos outros autores se destacaram no acervo de Elizabeth, tornando-se difícil se referir a todos. Somente em um ambiente adequado, folheando as páginas do livro, lendo com atenção as indicações da autora, os títulos escolhidos para cada parte selecionada, seria possível avaliar a grandeza do trabalho de Elizabeth Brito.
O lançamento do livro aconteceu no salão da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil. Na entrada, cavaletes com quadros ilustrativos de Sublimes Linguagens ornamentavam o saguão, abrindo alas para as pessoas que chegavam, encantando-as com o espetáculo pictórico que se descortinava, como se a intenção fosse prepará-las para terem em mãos o livro a ser autografado.
Indivíduos do mundo das artes, da literatura e da música circulavam ao lado de presidentes de entidades culturais com a alegria natural de participar desse evento onde a atmosfera era de harmonia e bons fluidos. Elizabeth, com o desembaraço que lhe é peculiar, recebia a todos com gentileza e apreço, brindando os leitores com dedicatórias delicadas e carinhosas.
Dessa forma, ficam registradas para a posteridade obras relevantes da atualidade. Os participantes se sentem honrados com a oportunidade de ter suas obras tão bem-ilustradas. Esperamos que a autora dê continuidade a essa difícil empreitada para que outras gerações possam ter acesso aos movimentos artísticos e literários a par dos fatos que acontecem nos nossos dias. Parabéns, Elizabeth Caldeira Brito, pela dedicação na pesquisa e produção deste livro encantador: Sublimes Linguagens!

(Alba Dayrell, membro da Academia Feminina de Letras e Artes (Aflag), da União Brasileira dos Escritores (UBE)e professora aposentada da UFG)

quarta-feira, março 13, 2013

Fim de semana com Astrid, Dimas e Salomão (Nilto Maciel)



A maioria das publicações trazidas à minha casa vem de amigos. Como recebo diariamente, pelo menos, um impresso, a conclusão é estarrecedora (no bom sentido): tenho amigos para o ano todo. Estão ali, doidos por um afago, cerca de uma dúzia deles (os tomos, não os amigos). Pisquei o olho para cada um e murmurei: Venham cá, seus malandros. E trouxe ao colo três dos mais afoitos: Vagem de vidro, Coeur sans frein e Uma sombra no espelho. São de Salomão Sousa (meu amigo há mais de 30 anos), Astrid Cabral (minha amiga desde os bons tempos de Brasília) e Dimas Carvalho (que mora bem ali, em Acaraú, mas telefona para mim todo santo dia – de licença, em Fortaleza – e me convida a almoçar, de vez em quando, ou, nas noites de muita solidão e tédio, para visitar uma cunhã qualquer).

Pelo visto ou pelo andar da carruagem, não comentarei as coletâneas e ficarei nessa lengalenga de quem não lê nada e não sabe distinguir soneto de sonata. Engano vosso, leitores impacientes e exigentes: li todos os poemas, fiz anotações à margem dos opúsculos e tenho, sim, intenção de anotar umas frases a respeito das três obras. Parto, então, de Vagem de vidro, a primeira a chegar a mim.

Salomão Sousa

Poeta moderníssimo, Salomão tem adotado todos os procedimentos do verso em suas modalidades mais novas, desde o livro inaugural de sua trajetória, A moenda dos dias, que é de 1979. No entanto, não copia ninguém e não se repete. Conhece os múltiplos caminhos da poesia (e da prosa também, seja ela ficcional, filosófica ou estrambótica).

Neste novo empreendimento verbal – Vagem de vidro –, o menestrel de Silvânia/Brasília apresenta cantos sem título (uns divididos em estrofes). E dá o pontapé inicial assim, com força, vigor ou garra: “Todo preâmbulo inaugura o medo”. Porque Salomão vem de antes, do tempo de Homero, de gregos e troianos, dos vates latinos, dos descobridores da Grécia (a Hélade e seus mitos), dos rapsodos modernos aos mais recentes. Vem pleno de poesia, de metapoesia, metalinguagem, em metapoemas de diversos feitios, vem inflado de enigmas, mistérios, ambiguidades, metáforas e parábolas. Vem entranhado de intertextualidade. Com citações e referências à melhor literatura nacional e estrangeira. Essa percepção advém de inúmeras e ricas leituras. Sem qualquer vassalagem a esta ou aquela tendência literária ou autor, por mais admiração que nutra por certos ícones da arte da escrita. Não, Salomão tem um léxico próprio, ou intertextualizado. E assim o dizemos, sem medo de ofendê-lo; pelo contrário, pois só quem lê muito, quem tem clara noção do mundo e suas profundezas, dos seres, seus comportamentos e suas expressões, é capaz de cultivar a paráfrase, ou de se envolver no processo de recriação da linguagem.

Essas incursões ao passado histórico ou literário não significam, no entanto, regressões, mas construções de pontes para o presente (seu e da sociedade): “E se houvesse entendimento ou / a extinção da linha do tempo, / quem iria recolher o sal, / construir a alvura ou / estrear o lençol e a luz?” (p. 13). O passado ele o traz para o seu (o nosso) presente (mundo, realidade), as agruras, as misérias, as iniquidades do homem moderno: “O edema, o sequestro relâmpago. É a ausência do fluir. / Se não há herói para ir a Ítaca, à Esplanada, / os homens a enrijecer-se” (p. 21); “a balconista que surgirá / ensanguentada no noticiário nacional” (p. 26); “a bala perdida / na mãe de uma criança ao colo” (p. 34).

Astrid Cabral

O segundo conjunto veio do Rio de Janeiro, em português e francês. Mal consigo ler o português brasileiro (o da Coroa nem ouso pronunciar), imaginem a língua de Paris. Não importa, Astrid; serei breve. Na capa, somente a denominação estrangeira: Coeur sans frein. Na folha de rosto, o título nos dois idiomas: Coração à solta, sobreposto a Coeur sans frein (de cabeça para baixo). Na capa e na segunda folha: “traduit librement du brésilien par l’auteure”. São hinos de amor, obviamente. Do começo ao fim: “Amor como tremor de terra / abalando montanhas e minérios / nas entranhas da minha carne”. Assim traduzidos (os versos): “Amour, tremblement de terre / secouant montagnes, minéraux / dans les entrailles de ma chair”.

Nesse volume, a poetisa não se peja de utilizar a primeira pessoa (eu lírico) para relatar peripécias do amor, em cânticos fesceninos e de nudez, de corpos em conluio, como o praticaram exímios criadores desde o início dos tempos da mais astuta racionalidade do sexo, em Lesbos (Safo), com os bardos gregos (Anacreonte). “Crava em meu corpo essa espada crua. / Quero o ardor e o êxtase da luta / em que me rendo voluntária e nua”. Em francês: "Enfonce dans mon corps cette épée crue. / Je veux l’ardeur et l’extase de la lutte / à laquelle je me rends volontaire et nue”.

Exercita-se também Astrid nas formas verbais da narração (narradora/espectadora), na revelação dos dramas amorosos dos outros ou de personagens: “Moravam na mesma casa / mas em variados mundos./ (...) Em solidão se espelhavam”. Em francês: “Ils habitaient la même maison / mais dans des mondes différents. / (...) En solitude ils se réfléchissaient”.

A linguagem poética de Astrid Cabral nessas jóias só raramente se esfumaça em construções simples, do nosso cotidiano, em constatações ou afirmações. Disso são exemplo versos como estes: “atear-lhe urgente o fogo do amor”. Ou estes mais exuberantes, mais gritantes: “Ao lado de um orgasmo / que são palmas e aplausos?” O poemeto “Sem maquilagem” é quase minicrônica.

Dimas Carvalho

O mais jovem dos três trovadores também está maduro. Não de hoje (há tempos comentei outra brochura dele e o fiz com louvores). Com este Uma sombra no espelho, Dimas demonstra toda a sua erudição. Desde o portal da casa, com um soneto (“Pórtico”), à maneira de confessionalismo de mártir: “o que eu escrevo é a queixa / de quem já fui, de quem eu mais não sou”. Seguem-se umas quadras (ele que é viajante do Brasil e do mundo) mineiras (escritas em São João Del Rey).

Num passar de vista abrangente e sem grandes preocupações estéticas, o leitor comum veria um pouco de Bocage, outro tanto de Antero de Quental, talvez uns resquícios de Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro (Dimas é contumaz leitor da poesia portuguesa, como o é de toda a boa poesia) em certas peças desse novo repertório: “dentro de mim estive sempre ausente / fora de mim também não me encontrei” (p. 16).  Também traz latim, que o homem é versado em idiomas e na melhor tradição literária. Como em “Quia pulvis es”, extraído da locução religiosa “Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”, ou “Lembra-te, homem, que és pó e ao pó tornarás”. Como um sacerdote, um conselheiro, esmiúça a velha locução em vinte versos curtos: “tira os teus anéis / despe tuas roupas / queima as insígnias” (...) “despe-te de tudo / porque a Terra chama / e o útero profundo / vai te devorar” (p. 18).

Além de exímio cultor do soneto (seja na forma camoniana ou petrarquiana, seja na versão inglesa), Dimas Carvalho maneja outras modalidades poemáticas: elegia, sonata, canção, cântico, rondó, etc.

Porém, nem só de latim e tradição se faz a poesia de Dimas. Com dicção própria (mesmo que vejamos influências – e isto é muito natural em todo inventor – deste ou daquele lavrador de versos, de um ou de outro período histórico), o jogral cearense não se descuida dos mais modernos e seus contemporâneos. Basta ver as epígrafes de que se valeu: Ezra Pound, Salvatore Quasimodo, Giuseppe Ungaretti, Mário Quintana, Francisco Carvalho, Carlos Augusto Viana e Paulo Leminski. E a série de homenagens a alguns dos mais engenhosos polidores de safiras: Fernando Pessoa e Camões (“Uma tarde no Chiado”), Jorge de Lima, Rilke, Vinícius e Augusto dos Anjos.

Conclusão

E mais não direi, para não tirar ao leitor o prazer de ler e reler estes três bons ficcionistas brasileiros e com eles viver no interior de espelhos, povoados de amor e erotismo, numa vagem (seria uma redoma?) de vidro, ao mesmo tempo longe do hoje e perto do ontem, que é o sempre. Pois a poesia de Astrid Cabral, Dimas Carvalho e Salomão Sousa é bela e será duradoura.

Fortaleza, 2 a 5 de março de 2013.

Dhiogo José Caetano de Uruana, Torna-se Membro Honorário imortal da Acla


Dhiogo José Caetano de Uruana, Torna-se Membro Honorário imortal da Acla
MEMBROS CORRESPONDENTES IMORTAIS( Nacional e Internacional):

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

115- Dr. José Gomes da Silva Neto – Psicanalista e Psicoterapeuta – Delegado Regional da ACLA/MG – Cachoeiro do Itapemirim/ES.
116- Paulo Henrique dos Santos Ferreira – Professor de História/ Patrimônio Cultural – Delegado Regional da ACLA/MG – Curuçá/ Pará. 
117- Bárbara Pérez – Escritora/ Presidente da Academia CACL de Marataízes – Delegada Regional da ACLA/MG – Marataízes/ES. 
118- Roberto Vital da Silva – Artesão – Delegado Regional da ACLA/MG – Igarassu/Pernambuco.
119- Sciortino Antonio Nato A. Palermo – Professor de Teologia – Monreale/Itália. 

MEMBROS HONORÁRIOS IMORTAIS - QUADRO 04:

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

133-S.A.R.I. Principe Dom Alexander Comnène Palaiologos Maia Cruz – Presidente da FEBLACA – São Paulo/SP .(H. Internacional) 
137-Dom Carlos Santos Saavedra Bravo – Soberano Gran Maestre Comandante General/Soberana Orden Militar Del Deber Sagrado. Venezuela (H. Internacional). 
138- Dr. Raimundo Holgado Cantalejo – Presidente Provincial de La Asociación Española de Amigos de lós Castillos- Espanha (H. Internacional). 
139- Dr. Jésus Acácio de Oliveira – Professor/Filósofo/Poeta e Escritor – Brasília/DF. 
140- Dhiogo José Caetano – Professor/Escritor/Poeta – Uruana/ Goiás. 
Dhiogo José Caetano -Dhiogo José Caetano é de Uruana interior de Goiás; filho de Valdson Caetano Filho e Lucinete José Veloso. Graduado em História pela UEG - Universidade Estadual de Goiás, jornalista, Pós graduado em Memória do Imaginário e Literatura . Tem diversos trabalhos e artigos publicados Jornal o Povo, Jornal o Dia, Jornal Diário da Manhã, Jornal Populacional, Canto dos Escritores, Só Poetas Por Vir, Poetas de Domingo, Poetas Livres e em outras revistas como: Revista Factus, Partes e Hímpeto Editorial. Também faz parte de projetos literários: Nova Coletânia, Rocco, Publicações Iara, Encantos do Brasil II da Mandio Editora, Novos Poetas da Editora Videira, Prêmio Valdeck, Editora Celeiro, Editora Literacidade, Poesia Encanta II, III e IV, Canapé, Litteris, Palavras Sem Fronteiras. É colunista: Poetas Brasileiros, Mar de poemas. Artista revelação 2011 prêmio organizado pela Interarte juntamente com Academia de Letras de Goiás, ganhador do prêmio cultural Interarte 2012, Prêmio Nacional Olavo Bilac 2012, Prêmio Nacional Buriti 2012. Correspondente das academias: ACLAC Academia Cabista de letras e Artes, ARTPOP Academia de Arte do Rio de Janeiro , CACL Academia Marataizense de Letas do Estado do Espírito Santos membro da AVSPE Academia Virtual Sala dos Poetas, Escritores, membro da ACLA, Comendador da ALG Academia de Letras de Goiás Velhos, Correspondente da Academia de Letra do Brasil/Suíça, Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, Cavaleiro Comendador da Ordem Soberana , Militar do Dever Sagrado Extraordinary Member of the CSLI e Master Sergeant CSL. O seu objetivo é continuar a caminhada em direção do ensinar e aprender, corroborando para a publicação de diversos textos, livros, artigos, poemas, etc. Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/1318205190902971

MEMBROS HONORÁRIOS IMORTAIS - QUADRO 05:

Cadeira - Acadêmico - Categoria - Localidade de residência - Cargo

141- Dr. Alan Simião – Marquês de Askos – Rio de Janeiro/RJ.
142- Dom Leandro Ribeiro – Duque Dom dos Ribeiros de Sarmathia – Rio de Janeiro/RJ.
143- Dr. Hércules Pires do Nascimento – Conde Pires do Nascimento – Rio de Janeiro/RJ.
144- Dr. Oséas da Silva Costa – Visconde do Vale de Kastoria – Rio de Janeiro/RJ. 
145- Major Ivani Damasceno – Militar da reserva- Ponte Nova/MG. 
146- Leila di Domenico – Artista/Ativista Cultural – Chapecó/ Santa Catarina. 
147- Ladir Wigikoski - Artista/Ativista Cultural – Chapecó/ Santa Catarina. 
148- Carlos Alberto Hang - Artista/Ativista Cultural – Joinville/ Santa Catarina. 
149- Dalci Schneider Filho - Artista/Ativista Cultural – Balneário/ Santa Catarina. 
150- Rosecler Hoss - Artista Plástica – Chapecó/ Santa Catarina.
151- Maria Dolores Pimentel Rezende - Escritora/ Professora - São José do Calçado/ES.


Dhiogo José Caetano Professor, escritor e jornalista 
Comendador da Academia de Letras de Goiás.  Senador da FEBACLA Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes 
Membro das Academias:  ALB (Brasil/Suíça), ACLAC (RJ),  ACLA (MG), CACL (ES), ARTPOP(RJ) e OsConfradesdaPoesia (Portugal)